A experiência como guia de tomada de decisões em Utilities

Como tomar boas decisões no setor de utilities

As empresas de Utilities sempre confiaram na  experiência de seus especialistas. O desafio dos próximos anos será transformar o conhecimento individual em inteligência organizacional, permitindo decisões mais rápidas, consistentes, resilientes e, principalmente, replicáveis.

As concessionárias de energia elétrica operam em um dos ambientes mais complexos da economia atual. Todos os dias, milhares de decisões são tomadas envolvendo operações da rede, atendimento ao cliente, faturamento, manutenção, conformidade regulatória, investimentos e resposta a eventos críticos. Agora, imagine: mesmo possuindo essa complexidade de operação, em muitas dessas situações, a experiência acumulada pelos profissionais continua sendo o fator mais importante para determinar o melhor curso de ação.

Essa experiência é extremamente valiosa. No entanto, com o aumento da complexidade operacional, a digitalização das redes, o crescimento exponencial dos dados, a evolução regulatória e a gradual abertura do mercado de energia, surge uma pergunta importante:

A experiência, sozinha, ainda é suficiente?

À medida que as operações se tornam mais complexas, aumentam também as chances de equipes diferentes tomarem decisões distintas para situações semelhantes.

Isso não significa que a experiência tenha perdido valor.

Muito pelo contrário. Significa que a experiência agora precisa ser apoiada por informações confiáveis, dados integrados e inteligência analítica para possibilitar decisões mais rápidas, consistentes e transparentes.

Em um setor cada vez mais regulado, até mesmo pequenas diferenças de interpretação podem gerar impactos operacionais, financeiros e reputacionais significativos.

Este setor possui um padrão recorrente, independentemente da empresa, da tecnologia utilizada ou do desafio regulatório envolvido, projetos complexos de transformação e mudanças regulatórias frequentemente exigem que as organizações respondam com rapidez enquanto analisam grandes volumes de informações não estruturadas, documentações técnicas desatualizadas, regras de negócio existentes e impactos operacionais, regulatórios e financeiros.

Nesses momentos, os profissionais mais experientes naturalmente se tornam a principal fonte para decisões críticas. Isso evidencia o enorme valor da sua expertise. Mas também expõe um risco frequentemente negligenciado.

Quando o conhecimento crítico está concentrado em poucas pessoas, toda a organização passa a depender da disponibilidade desses profissionais. Como consequência, os projetos frequentemente sofrem com prazos mais longos, decisões tomadas sob pressão ou análises baseadas em informações incompletas.

Curiosamente, o maior esforço muitas vezes não está na implementação em si.

Ele está na fase de estabilização posterior, lidando com situações que poderiam ter sido antecipadas caso esse conhecimento tivesse sido devidamente capturado, estruturado e compartilhado por toda a organização.

No Brasil e ao redor do mundo, uma tendência comum está surgindo entre as Utilities líderes de mercado: investir em formas de transformar a experiência individual em capacidade organizacional.

Isso tem impulsionado investimentos em plataformas que consolidam dados operacionais, histórico de eventos, indicadores regulatórios e informações de campo para apoiar uma tomada de decisão mais eficiente.

O objetivo não é substituir a expertise humana, e sim aumentar a confiança nas decisões tomadas em ambientes operacionais cada vez mais complexos. Mais do que digitalizar processos, as Utilities estão construindo organizações mais inteligentes.

Os avanços recentes da Inteligência Artificial, especialmente dos Large Language Models (LLMs), criaram uma oportunidade completamente nova para o setor de Utilities.

Pela primeira vez, as organizações podem transformar enormes volumes de informações dispersas em conhecimento acionável capaz de apoiar decisões melhores.

As soluções mais valiosas são aquelas capazes de:

  • Consolidar conhecimento distribuído;
  • Fornecer contexto para decisões em tempo real;
  • Simular cenários alternativos;
  • Antecipar impactos regulatórios;
  • Recomendar as melhores ações seguintes;
  • Aprender continuamente com resultados anteriores.

Essas tecnologias não têm como objetivo substituir o julgamento humano. Seu propósito é exclusivamente enriquecê-lo.

Imagine um sistema capaz de fornecer a um operador, em questão de segundos:

  • Eventos históricos semelhantes;
  • Implicações regulatórias;
  • Avaliação do impacto para clientes;
  • Disponibilidade das equipes de campo;
  • Previsões meteorológicas;
  • Recomendações baseadas em situações anteriores;
  • Possíveis riscos reputacionais.

Essa é a verdadeira oportunidade. A vantagem competitiva das Utilities do futuro não virá de possuir mais dados. Ela virá da capacidade de transformar conhecimento em uma competência organizacional permanente.

E, na Infinity, estamos ajudando nossos clientes a avançar exatamente nessa direção, unindo experiência, dados e tecnologia para apoiar decisões mais consistentes, explicáveis e sustentáveis.

Se um dos principais especialistas da sua organização fosse promovido, se aposentasse ou aceitasse uma nova oportunidade amanhã, quanto do conhecimento por trás das decisões críticas de hoje continuaria disponível para todos os demais?

Diante dessa pergunta, as organizações estão investindo pesadamente em transformação digital. Mas, também estamos transformando o conhecimento que sustenta nossas decisões? Ou ele ainda está armazenado, principalmente, na experiência das pessoas?

A Inteligência Artificial não substituirá os profissionais experientes. Ela ampliará sua capacidade de transformar experiência individual em inteligência organizacional. Talvez a verdadeira pergunta que as Utilities deveriam fazer não seja se a IA substituirá a experiência humana. A pergunta real é:

Como podemos garantir que décadas de conhecimento acumulado passem a fazer parte da inteligência permanente da organização, em vez de permanecer apenas na mente de alguns poucos especialistas?

Agora, reflita: como sua organização está equilibrando experiência, dados e tecnologia na tomada de decisões críticas?

Thomaz Rafael Santos
Sales Director | Utilities Strategy | Transformação Digital | Inteligência Artificial

Compartilhe

outros posts...